Last mile:
O que é e desafios
Por M DEUX
18 de May, 2025 • 6 min
A etapa conhecida como last mile, ou última milha, corresponde ao trecho final do processo logístico, quando a mercadoria sai de um centro de distribuição ou ponto de apoio e chega ao destino final, geralmente a residência do consumidor, uma empresa ou um ponto de retirada.
Embora represente a menor distância física dentro da cadeia logística, a última milha é reconhecida como a fase mais complexa, cara e sensível da operação. É nela que se concentram os maiores riscos, os custos mais elevados por entrega e a percepção direta do cliente sobre a qualidade do serviço.
Com o crescimento do e-commerce, a personalização das entregas e a expectativa por prazos cada vez menores, compreender o funcionamento do last mile deixou de ser um tema operacional e passou a ser uma questão estratégica para empresas que desejam manter a competitividade no supply chain.
O que é last mile na logística
O termo last mile é utilizado para definir o percurso final de uma mercadoria até o seu destino. Diferente das etapas anteriores do transporte, que lidam com grandes volumes e rotas previsíveis, a última milha opera em um ambiente fragmentado, urbano e altamente variável.
Nessa fase, as entregas são pulverizadas, os endereços são diversos e as condições externas mudam constantemente. Trânsito, restrições de circulação, janelas de recebimento, ausência do destinatário e exigências específicas do cliente tornam a operação mais complexa.
Além disso, o last mile influencia diretamente a experiência do consumidor. Um atraso, uma falha de comunicação ou uma avaria no produto tende a ser atribuída à marca, independentemente de onde ocorreu o problema na cadeia logística.
Empresas que lidam com cargas sensíveis, como materiais de construção, revestimentos e porcelanatos, enfrentam um desafio adicional. Mesmo após um transporte primário bem executado, a última etapa exige cuidado extremo com o transporte de porcelanato, manuseio, embalagem e descarregamento.
Por que o last mile impacta tanto os custos logísticos
Estudos do setor indicam que a última milha pode representar até 50 por cento ou mais dos custos totais de transporte. Esse percentual elevado está ligado principalmente à baixa eficiência por entrega individualizada.
Entre os fatores que mais pressionam os custos do last mile estão:
- Entregas unitárias ou de baixo volume
- Maior tempo parado em trânsito urbano
- Uso intensivo de mão de obra
- Necessidade de rastreamento e comunicação em tempo real
- Reentregas por ausência do destinatário
- Aumento do risco de fraudes e perdas
Segundo dados da McKinsey, empresas que não otimizam a última milha tendem a ver suas margens reduzidas à medida que o volume de pedidos cresce, especialmente em operações B2C. Isso explica por que o last mile deixou de ser tratado apenas como custo operacional e passou a ser encarado como área crítica de eficiência e inovação.
Golpes e fraudes comuns na última milha
O crescimento das entregas diretas ao consumidor trouxe também novos riscos, especialmente relacionados a fraudes no momento da entrega. Dois tipos de golpe são recorrentes nesse estágio da logística.
Comprovante de pagamento falsificado
Nesse tipo de fraude, o golpista apresenta ao entregador um comprovante impresso ou digital falso, simulando uma compra legítima. Em operações sem validação eletrônica em tempo real, o entregador pode ser induzido a concluir a entrega sem que o pagamento tenha sido efetivamente processado.
Estorno após a entrega
Outra prática comum envolve o uso de cartões clonados ou roubados. O pagamento é realizado, a venda é aprovada e o produto entregue. Posteriormente, o comprador solicita o estorno junto à operadora do cartão, alegando não reconhecimento da transação.
Como reduzir riscos e evitar golpes no last mile
A mitigação de fraudes na última milha depende da combinação entre processos bem definidos e tecnologia adequada. Entre as medidas mais eficazes estão:
- Uso de sistemas de Transferência Eletrônica de Fundos (TEF) integrados
- Validação de pagamentos em tempo real
- Conciliação automática de recebíveis
- Integração entre ERP, financeiro e gestão de entregas
- Treinamento da equipe para identificação de situações suspeitas
O last mile dentro da cadeia logística
Para entender o peso da última milha, é importante visualizar seu papel dentro do ciclo logístico completo. As principais etapas são:
- Planejamento da demanda
- Abastecimento e armazenagem
- Processamento e separação de pedidos
- Transporte primário e secundário (como o frete FOB)
- Entrega final (last mile)
- Logística reversa
Principais desafios do last mile
A operação de última milha enfrenta desafios estruturais que vão além do controle interno das empresas. Os principais obstáculos incluem:
- Infraestrutura urbana limitada, com congestionamentos e restrições
- Alta fragmentação geográfica das entregas
- Pressão por prazos cada vez menores
- Crescente demanda por sustentabilidade
- Necessidade de integração tecnológica em tempo real
Empresas que operam com cargas frágeis, como porcelanatos e revestimentos, ainda precisam considerar o transporte de pisos cerâmicos, onde o risco de avaria e a complexidade de descarregamento são maiores.
Logística improvisada x logística estruturada no last mile
| Critério | Logística improvisada | Logística estruturada |
|---|---|---|
| Previsibilidade | Baixa | Alta |
| Controle da entrega | Limitado | Monitoramento contínuo |
| Risco de avarias | Elevado | Reduzido |
| Comunicação | Reativa | Proativa |
| Custos | Difíceis de controlar | Mais previsíveis |
Tendências e futuro do last mile
O futuro da última milha está diretamente ligado à tecnologia e à inovação. Entre as principais tendências estão:
- Uso de inteligência artificial para roteirização dinâmica
- Micro centros de distribuição urbanos
- Lockers e pontos de retirada inteligentes
- Veículos elétricos e soluções sustentáveis
- Maior integração entre logística, financeiro e atendimento
De acordo com o World Economic Forum, a digitalização do last mile será um dos principais diferenciais competitivos da logística urbana na próxima década. A segurança e a prevenção de fraudes continuarão sendo prioridades, exigindo protocolos cada vez mais robustos.
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